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Saturday, April 4, 2015

Tropicália - O Movimento e as Músicas


Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".


O movimento surgiu da união de uma série de artistas baianos, no contexto do Festival de Música Popular Brasileira promovidos pela Rede Record, em São Paulo, e Globo, no Rio de Janeiro e que formaram o movimento musical mais influente e original do país após a Bossa Nova. Um momento crucial para a definição da Tropicália foi o Festival de Música Popular Brasileira (1967), no qual Caetano Veloso interpretou "Alegria, Alegria" e Gilberto Gil, ao lado dos Mutantes, "Domingo no Parque". No ano seguinte, o festival foi integralmente considerado tropicalista (Tom Zé aí apresentou a canção "São Paulo"). Em 1968 foi lançado o disco Tropicalia ou Panis et Circencis, um manifesto do grupo e considerado o 2º melhor álbum da música brasileira pela Rolling Stone Brasil.


O movimento tropicalista trouxe várias inovações para o cenário cultural brasileiro do final da década de 60. O movimento, de certa forma, foi um rompimento com a arte obviamente militante, que tratava da situação política do país na época da ditadura e tinha a melodia como um sustentáculo desta mensagem. As letras das canções eram inovadoras, criando jogos de linguagem, se aproximando da poesia dos concretistas. As mensagens das letras eram codificadas, que exigiam uma certa bagagem cultural para que fossem compreendidas. "Alegria, Alegria" de Caetano Veloso não tem sentido óbvio, mas carrega em sua letra preocupações típicas da juventude da década de 60, um tormento com a violência da ditadura e um desejo de inovar, de romper barreiras. Eles se caracterizavam pelo excesso, roupas coloridas, cabelos compridos e agregavam várias influências musicais. A intenção era chocar e, por meio de performances caracterizadas pela violência estética, protestar contra a música brasileira bem comportada. Influenciados pela contracultura, se apoderaram da linguagem da paródia e do deboche. Os tropicalistas transformaram a música popular brasileira, sendo grandes expoentes da arte brasileira de vanguarda. Musicalmente, o tropicalismo unia uma mistura da cultura brega, do rock psicodélico, da música erudita, da cultura popular, entre outros, dando conta de várias manifestações da cultura nacional. O som da guitarra elétrica convivia com violinos e com o berimbau. Era o resgate do Movimento antropofágico de Oswald de Andrade aliado a um retorno às raízes das tradições nacionais.


Em 1969, os Mutantes realizaram o seu último concerto com Caetano e Gil. Foi durante a conturbada temporada na carioca boate Sucata, no qual ocorreu o famoso incidente da bandeira nacional, que, supostamente, foi desrespeitada, no entender dos militares que governavam o Brasil naquela época. Durante o espetáculo, foi pendurada no cenário do espetáculo uma bandeira, obra do artista plástico Hélio Oiticica, com a inscrição "Seja Marginal, Seja Herói", com a imagem de um traficante famoso naquela época, o Cara-de-Cavalo, que havia sido assassinado violentamente pela polícia.  Os militares alegaram ainda que Caetano teria cantado o Hino Nacional inserindo versos ofensivos às Forças Armadas. Isto tudo serviria de pretexto político para que os militares suspendessem a apresentação, prendessem Caetano e Gil e, posteriormente, soltos e exilados no Reino Unido. O episódio é considerado como o fim do movimento vanguardista.

Para saber mais: http://tropicalia.com.br/v1/site/internas/index.php


As músicas da Tropicália;



Rogério Duprat é mais conhecido pelo seu envolvimento com o movimento tropicalista no final da década de 1960. A intenção do maestro era romper com as barreiras entre a música erudita e a música popular. Duprat arranjou canções de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gal Costa, Nara Leão, entre outros. O maestro ficou conhecido como o "George Martin" da Tropicália.



Tropicalia ou Panis et Circencis é um disco liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, acompanhados de artistas como Tom Zé, Os Mutantes e outros. Em maio de 1968, começaram as gravações do álbum que seria o manifesto musical do movimento, do qual participaram artistas como Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé - além dos poetas Capinam e Torquato Neto e do maestro Rogério Duprat (responsável pelos arranjos do LP). A primeira música do álbum é "Miserere Nóbis", de Gil e Capinan. Na sequência vem "Coração Materno" - canção até então considerada de mau gosto. A faixa-título é interpretada pelo grupo paulista Os Mutantes, com sinais nítidos do conjunto: a psicodelia. "Baby", grande hit deste álbum, foi cantada por Gal Costa. O LP ficou em 2º lugar na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, feita pela revista Rolling Stone Brasil.




Em 1967, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes apresentaram toda a estética do movimento através de apresentações (incompreendidas por muitos, mas compreendido pelas pessoas certas) no Festival Internacional da Canção. "Alegria, Alegria" e "Domingo no Parque" apresentavam uma sonoridade que nunca havia sido ouvida antes. As guitarras provocaram a chiadeira de muita gente. Mas Caetano Veloso acreditou na sua proposta e, em 1968, lançou o álbum "Caetano Veloso", que já pela sua multicolorida capa, mostrava que havia algo novo no ar. E a novidade não estava apenas na "tropicapa" de Rogério Duarte, mas sim nas músicas. Além de "Alegria, Alegria", que trazia as guitarras da banda argentina Beat Boys, o álbum apresentava o baião-rock "Eles" (com participação dos Mutantes), a rumba "Soy Loco Por Ti, América", o iê-iê-iê "Superbacana" (com acompanhamento da RC7, banda de Roberto Carlos) e "Clara" (com a voz de Gal Costa, que também vestiu as cores tropicalistas). O maestro Julio Medaglia também foi fundamental na estética da Tropicália, ao incorporar elementos clássicos a sua sonoridade. E isso pode ser ouvido em canções como "Clarice", "Paisagem Útil" e no manifesto "Tropicália". No encarte do álbum, Caetano Veloso explicava um pouco a sua proposta: "Eu gostaria de fazer uma canção de protestos de estima e consideração, mas essa língua portuguesa me deixa rouco. Os acordes dissonantes já não bastam para cobrir nossas vergonhas, nossa nudez transatlântica". Ainda bem que Caetano (com a língua portuguesa mesmo) compôs versos como "Caminhando contra o vento / Sem lenço, sem documento", e que, infelizmente, passados quarenta anos, permanecem extremamente atuais.




Em 1968, o grupo entrou em estúdio para gravar o seu álbum de estreia, até hoje considerado por muitos como o melhor disco de rock produzido no Brasil. Os arranjos foram compostos pelo maestro Rogério Duprat, e ainda contou com Jorge Ben tocando violão na canção "A Minha Menina", composta por ele próprio. Com um som experimental e diferente, os Mutantes gravaram canções importantes para a Tropicália, como "Panis Et Circences", "Bat Macumba", "Trem Fantasma" e "Baby", que ficou bem diferente daquela versão gravada por Caetano e Gal, com o seu arranjo cheio de teclados fúnebres e guitarras distorcidas. O grupo ainda reinventou a brasileiríssima "Adeus, Maria Fulô", jóia de nosso folclore, de autoria de Humberto Teixeira e Sivuca. De autoria dos próprios Mutantes, entraram no álbum "O Relógio", "Senhor F" (com direito ao piano de Dona Clarisse, mãe dos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista) e "Ave, Genghis Khan". Não por acaso, "Os Mutantes" foi eleito pela revista britânica MOJO, como um dos 50 álbuns mais inovadores da história da música, ficando a frente de nomes como Pink Floyd e Frank Zappa.





Gil se juntou ao maestro Rogério Duprat e, no estúdio de quatro canais da Companhia Brasileira de Discos, gravou "Gilberto Gil". Assim como o álbum de Caetano, "Gilberto Gil" misturava as guitarras a letras de protesto. "Domingo No Parque", que já havia sido apresentada no FIC do ano anterior, encerrava o álbum, com a participação dos Mutantes. Além dessa canção, o álbum ainda apresentava músicas como "Frevo Rasgado", "Marginália II" ("Eu, brasileiro, confesso / Minha culpa, meu degredo / Pão seco de cada dia / Tropical melancolia / Negra solidão / Aqui é o fim do mundo / Aqui é o fim do mundo") e "Procissão", que ganhou uma gravação com uma sonoridade roqueira, bem diferente da arrastada presente em seu álbum anterior, "Louvação" (1967). Assim como Caetano fizera, Gilberto Gil escreveu um provocativo texto no encarte do álbum: "Qual a fantasia que eles vão me pedir que eu vista para tolerar meu corpo nu? Vou andar até explodir colorido. O negro é a soma de todas as cores. A nudez é a soma de todas as roupas". De fato, a Tropicália com a cor negra de Gilberto Gil ficava muito mais forte. E muito mais bonita.



Show na Boate Sucata do Rio de Janeiro...




Influência do movimento em alguns músicos brasileiros...

Faixas:
01 Célio Balona – Tema De Batman
02 Loyce E Os Gnomos – Era Uma Nota De 50 Cruzeiros
03 The Youngsters – I Want To Be Your Man
04 Serguei – Ourico
05 Fábio – Lindo Sonho Delirante (L.S.D.)
06 Tony E Som Colorido – O Carona
07 14 Bis – God Save The Queen
08 Banda De 7 Léguas – Dia De Chuva
09 Ton E Sérgio – Vou Sair Do Cativeiro
10 Ely – As Turbinas Estão Ligadas
11 Os Falcões Reais – Ele, Século XX
12 Marisa Rossi – Cinturão De Fogo
13 The Pops – Som Imaginário De Jimmi Hendrix
14 Loyce E Os Gnomos – Que É Isso?
15 Piry – Herói Moderno
16 Mac Rybell – The Lantern


Fornecido por "Por trás da Vitrola"
Filme lançado em Setembro de 2012, dirigido por Marcelo Machado. Um belo documentário com uma excelente trilha sonora.




Grande Liquidação é o álbum de estreia do cantor brasileiro Tom Zé.

O disco contém o seguinte texto na contracapa:

"Somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade. O sorriso deve ser muito velho, apenas ganhou novas atribuições. Hoje, industrializado, procurado, fotografado, caro (às vezes), o sorriso vende. Vende creme dental, passagens, analgésicos, fraldas, etc. E como a realidade sempre se confundiu com os gestos, a televisão prova diariamente, que ninguém mais pode ser infeliz. Entretanto, quando os sorrisos descuidam, os noticiários mostram muita miséria. Enfim, somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade.(Às vezes por outras coisas também). É que o cordeiro, de Deus convive com os pecados do mundo. E até já ganhou uma condecoração. Resta o catecismo, e nós todos perdidos. Os inocentes ainda não descobriram que se conseguiu apaziguar Cristo com os privilégios. (Naturalmente Cristo não foi consultado). Adormecemos em berço esplêndido e acordamos cremedentalizados, tergalizados, yêyêlizados, sambatizados e missificados pela nossa própria máquina deteriorada de pensar. "-Você é compositor de música "jovem" ou de música "Brasileira"?" A alternativa é falsa para quem não aceita a juventude contraposta à brasilidade.. (Não interessa a conotação que emprestam à primeira palavra). Eu sou a fúria quatrocentona de uma decadência perfumada com boas maneiras e não quero amarrar minha obra num passado de laço de fita com boemias seresteiras. Pois é que quando eu abri os olhos e vi, tive muito medo: pensei que todos iriam corar de vergonha, numa danação dilacerante. Qual nada. A hipocrisia (é com z?) já havia atingido a indiferença divina da anestesia... E assistindo a tudo da sacada dos palacetes, o espelho mentiroso de mil olhos de múmias embalsamadas, que procurava retratar-me como um delinquente. Aqui, nesta sobremesa de preto pastel recheado com versos musicados e venenosos, eu lhes devolvo a imagem. Providenciem escudos, bandeiras, tranquilizantes, antiácidos, antifiséticos e reguladores intestinais. Amém."
TOM ZÉ

P.S.: Nobili, Bernardo, Corisco, João Araújo, Shapiro, Satoru, Gauss, Os Versáteis, Os Brazões, Guilherme Araújo, O Quartetão, Sandino e Cozzela, (todos de avental) fizeram este pastel comigo.
A sociedade vai ter uma dor de barriga moral
O mesmo



Mutantes é o segundo álbum de estúdio da banda brasileira de rock Os Mutantes, lançado, em LP, no dia 24 de fevereiro de 1969 pela gravadora Polydor. Foi reeditado em CD no ano de 1992 e 2006, e lançado nos EUA pela Omplatten Records. Em outubro de 2007, a revista Rolling Stone divulgou uma lista dos 100 maiores discos da música brasileira, na qual esse disco ocupa o 44° lugar.



Gilberto Gil, também conhecido com o sobrenome de "Cérebro Eletrônico", é o nome do terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil, lançado em 1969, pela Philips. O álbum traz, como seu antecessor, o rock psicodélico - forte característica do movimento tropicalista. Apesar da boa recepção do álbum, este só teve um single, considerado o primeiro grande sucesso de Gil, "Aquele Abraço", enquanto trazia um repertório de nove faixas, onde além da canção já citada, apenas "Cérebro Eletrônico" ganhou mais algum destaque, anos depois, com a regravação de Marisa Monte, em 1996. O b-side de "Aquele Abraço", "Omã Iaô", foi lançada como faixa bônus nos relançamentos, ao lado de canção compostas pelo próprio Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Ben - esses dois últimos participam de "Queremos Guerra", de Jorge Ben.



Saturday, August 25, 2012

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso

Grande Caetano! Devo confessar que , quando comecei a gostar mesmo de música, ganhei de aniversário de 14 anos o disco Cores e Nomes. Nesta época dos vinis, os discos eram muito caros e eu tinha poucos. Lembro-me do Deep Purple, T. Rex, Warhorse, Bob Marley, Emerson Lake & Palmer, Bob Dylan e agora, tinha um do Caetano. No começo, achei estranho, tinha uma música que ele dizia que beijava um homem na boca, e para a época e o mundo que vivia, não achei legal. Mas ouvia... E depois de um tempo, já cantarolava Sina, Queixa... E por muito tempo, Caetano foi para mim, um cantor de MPB e só tinha aquele disco. Tempos depois, na faculdade tive namoradas e amigos que realmente me apresentaram ao Sr. Caetano Veloso. Foi com muito prazer que descobri sua obra... Ao ouvir uma faixa do LP "A Arte de Caetano...", É Proibido Proibir, admirei sua atitude. Tenho todos os discos, conheço e admiro sua história. Sei que há muitas controvérsias, que Caetano não é unânime, mas este cara faz parte da história musical do Brasil. Suas participações nos festivais, lá no final da década de 70, seu exílio, sua música e suas influências são uma grande hístória que vale a pena ser lida, contada e guardada. É bom também que a moçada de hoje saiba que, atrás daquele senhor intelectual, de melodia suave e letras líricas, há um jovem questionador, que desafiou muita coisa, que foi perseguido pela polícia, foi exilado e iniciou um negócio estranho de música universal... Caro Caetano, um grande abraço e que surjam outros Caetanos neste nosso mundo...

Uma passagem interessante que vale a pena ser lida.
Adaptado de ( http://sambasafari.wordpress.com/2011/03/02/caetano-veloso-transa-1972/ ).

No dia 27 de dezembro de 1968, os maiores expoentes da música brasileira, Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram presos pelo regime militar sem qualquer alegação plausível. Obviamente suas participações em passeatas, movimentos estudantis e principalmente, suas condutas revolucionárias, não eram vistas com bons olhos pelo governo. Os dois passaram por celas de diversos quartéis no Rio de Janeiro, onde tiveram suas vidas marcadas para sempre pelo cárcere.
Durante este período, foram compostas em cela algumas canções que ficariam muito conhecidas, como “Irene”, onde Caetano canta a saudade da alegria e de sua irmã (Eu quero ir, minha gente / Eu não sou daqui / Eu não tenho nada / Quero ver Irene rir / Quero ver Irene dar sua risada), e Cérebro Eletrônico, uma das mais geniais canções de Gil.

Após dois meses de confinamento, numa quarta-feira de cinzas, os dois baianos foram conduzidos a Salvador, onde passariam outros quatro meses em regime de prisão domiciliar. Na metade do ano de 1969, o governo militar, com os poderes que o Ato Institucional número 5 lhe conferiam, decidiu expulsar Caetano e Gil do país. Fora permitido, embora, que realizassem um último show para arrecadar dinheiro para sua viagem forçada.
Nos dias 20 e 21 de julho, os dois principais tropicalistas faziam seu último show em terras brasileiras antes do exílio, em uma apresentação que virou disco, o sensacional Barra 69. Poucos dias depois, Gil e Caetano eram acompanhados por militares até um avião, onde embarcavam para Londres sob a seguinte advertência: “Só voltem se forem autorizados”.
O exílio foi para Caetano tão duro quanto deveria ser.  Desenraizado à força, o poeta mergulhou de cabeça em um estado tão depressivo como a própria aparência de Londres. Em um dos artigos que escrevia para o Pasquim, direto do exílio, Caetano afirmou sobre ele e Gil: “Estamos mortos”.  Afinal, que é o exílio senão a morte do homem como cidadão.
Apesar das tristezas, em uma das noites frias em Londres, Caetano receberia um visitante que trazia milhões de abraços em sua mala, todo o carinho do povo que aqui ficou, representado pela figura de seu rei, Roberto Carlos. Naquela noite, os últimos versos de “As Curvas da Estrada de Santos” seriam sucedidos pelo mais sincero pranto de Caetano. Segundo ele, foi este o momento que tocou o rei e o inspirou para a canção “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos”.
Neste período, Caetano gravaria o melancólico disco de 1971, cuja capa trazia apenas seu rosto, fechado, e a profundidade de seu olhar, que traduzia fielmente seu estado de espírito. No mesmo ano, graças ao esforço de sua irmã Bethânia aqui no Brasil, Caetano conseguiria uma permissão especial do governo para retornar ao Brasil, apenas para assistir a missa em comemoração aos 40 anos de casamento de seus pais.
No dia da volta de Caetano, Bethânia, acompanhada do cineasta Gláuber Rocha e de Luiz Carlos Maciel, um dos fundadores do Pasquim, esperou por longas horas a chegada de seu irmão. Enquanto era aguardado em casa, Caetano passava por um interrogatório, após ser recebido no aeroporto pelos militares. Entre perguntas e mais perguntas, Caetano seria pressionado a escrever uma canção saudando a construção da Transamazônica. De volta à Londres, Caetano convoca um time de peso para dar o passo que o consagraria como visionário cultural, revolucionário musical e semeador da libertação intelectual. Acompanhado dos amigos Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Souza, Caetano grava o disco Transa, sua obra de mergulhos mais profundos na alma do ouvinte e, principalmente, do compositor.

Seguem fotos de alguns momentos de Caetano.


                               Olha a Bethania... Que mulher linda!!!!





Caetano tem muitos discos bons, principalemte os de 70 e 80. Seguem os nossos escolhidos:








Este tem a faixa´"É Proibido Proibir" ...
Este disco é bom demais. Foi vendido em bancas de jornais na época. E traz bons exemplos da fase inicial do Sr. Veloso.






Exilado em Londres em 1972, Caetano Veloso fez um disco ímpar na sua discografia e na música brasileira: Transa. Marcado pelo tema da saudade e do estranhamento em terras distantes, o cantor faz diversas pontes entre o lá e o cá, entre o clássico e o popular, entre as duas línguas em que se dividia sua vida naquele momento. Além disso, trata-se de uma obra onde as pesquisas musicais do tropicalismo atingiram talvez seu melhor resultado.

No disco anterior, Caetano Veloso, do ano anterior, alguns desses temas já apareciam, especialmente na pungente versão de "Asa Branca" e na clássica "London London" (depois regravada com sucesso, entretanto destacada de seu contexto original, pelo RPM em seu multiplatinado "Rádio Pirata ao Vivo"). Entretanto, o que era apenas implícito no disco antecedente, aqui fica totalmente à mostra.


O disco se abre com "You Don't Know Me" (o link abre para a canção no Youtube), bem acabada mistura de bossa nova e rock'n roll, em cuja letra o baiano mostra-se indecifrável e sozinho e também se revela fruto da miscigenação brasileira (na citação de Carlos Lyra: "Nasci lá na Bahia de mucama com feitor"). Em seqüência, "Nine Out Of Ten", que escancara a sensação de estar vivo ("Feel the sound of music banging in my belly") apesar da tristeza e da nostalgia que o abate na terra da Rainha ("Nine out of ten movie stars make me cry, but I'm alive").

Evocando ao mesmo tempo Gregório de Matos (a fim de criticar os mandos e desmandos vigentes na pátria tupiniquim: "Triste Bahia/a mim vem me trocando e tem trocado/tanto negócio e tanto negociante") e canções de roda, "Triste Bahia" é uma longa litania onde se destacam o ritmo forte da percussão e a final mensagem de paz ("Trago no peito a estrela do norte/Bandeira banca enfiada em pau forte").

"It's a Long Way" cita Beatles, Caymmi e Vinicius de Moraes para mais uma vez reiterar a idéia da saudade e de que ainda havia um longo caminho a percorrer para chegar à liberdade. "Mora na Filosofia", samba de morro de Monsueto e Arnaldo Passos, é outro exemplo do aperfeiçoamento do Tropicalismo: recupera uma canção tida como brega, assim como em Tropicália ou Panis et Circences, quando regravou "Coração Materno" do ébrio Vicente Celestino. "Nostalgia (That's What Rock'n Roll Is All About)", um rock alegre, pra cima, de certa forma metalingüístico, encerra o álbum cantando sobre o que faz o rock - e a música em geral - ser o que é.

De volta à pátria, Caetano adentrou canaviais complexos em Araçá Azul (de 73), brincou com a simplicidade em Jóia/Qualquer Coisa (ambos de 75), soltou a franga no final dos anos 70 com o disco Bicho, começou uma carreira de intérprete nos anos 90 (em algumas horas acertada, em Fina Estampa, outras tantas muito frustrante, como em A Foreign Sound) e de tempos em tempos, irrompe com declarações bombásticas e momentos cômicos ("Ême-tê-vê, bota essa p**** pra funcionar!").

As impressões digitais de Transa estão bem presentes no cenário de hoje: é possível senti-las tanto em Chico Science & Nação Zumbi quanto no Skank, passando pelos cariocas da Orquestra Imperial e pelo samba-rock-afoxé do alagoano Wado. Em busca de renovação, o próprio Caetano revisita o conteúdo do álbum, como fez recentemente em seu Zii e Zie, um disco de "transambas", segundo o cantor. Enfim, ouso dizer: este é o melhor disco de Caetano - o que você está esperando para transá-lo?

Caetano Veloso completa 70 anos nesse 7 de agosto, dia de São Caetano (é feriado aqui na terrinha). Pra comemorar a data, republico aqui uma das minhas primeiras resenhas, publicada no Pop to the People. Hoje, esse texto até me irrita um pouco (porque ele mais mapeia a audição do que faz uma grande análise) mas gosto de olhar para ele para ver como eu acho que evoluí escrevendo nos últimos tempos. Ou isso tudo é só uma bobagem sentimental. De quebra, um top10 pessoal de Caetano, que deve lançar mais um disco com a Banda Cê em breve. 









Este foi meu primeiro disco do Caetano.
Tornou-se referência de carreira do cantor, com músicas de sucesso como "Queixa", "Trem Das Cores", "Meu Bem, Meu Mal" (posteriormente gravada por Gal Costa) e "Ele Me Deu Um Beijo Na Boca". Sem falar na clássica Sonhos de Peninha.





Este álbum lembra uma época de ouro, na faculdade... Lembra amores, baladinhas, amigos, conhecidos...


Divirtam-se...

Saturday, March 3, 2012

Caetano Veloso & Banda Black Rio












Em 1978, Caetano Veloso junta-se à banda Black Rio para fazer uma série de shows. Um desses shows, ao vivo no Teatro Carlos Gomes, na cidade do Rio de Janeiro, foi registrado e lançado só em 2002 na caixa de cd’s “Todo Caetano”. As músicas de Caetano nesses shows, com a banda Black Rio, ganharam uma nova roupagem, com um som mais funky e até um disco.