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Saturday, November 2, 2013

Smoke on the Water, Montreux, Frank Zappa and some curious stories...


Smoke on the Water, uma música épica, que atravessou gerações e uma das mais famosas canções do Deep Purple... Talzez o Riff mais famoso do mundo. A maioria das pessoas conhece bem a história por trás desta grande composição. Vamos tentar narrar e musicar esta história, cheia de acontecimentos paralelos e incríveis coincidências,  que inspiraram o Deep Purple a compor SMOKE ON THE WATER.

Nossa história começa em Dezembro de 1971, em uma linda tarde de inverno em Montreux, Suíça. Frank Zappa & The Mothers iniciaram seu show às 2 da tarde, muito incomum para concertos em Montreux, mas como era Frank Zappa... O show estava rolando com Zappa tocando King Kong, quando uma grande bola de fogo apareceu no meio do salão. Zappa ameaçou tocar a música Fire de Arthur Brown, e a platéia, extasiada e um pouco alta, pensou que o fogo fazia parte do show, afinal era Frank Zappa. A banda tocou apenas algumas estrofes e saiu pela saída lateral (a gravação para um pouco antes disso). Claude Nobs, o lendário organizador do Festival de Montreux descreve de forma interessante a retirada das pessoas do teatro: " Não foi muito difícil (tirar as pessoas)... Frank Zappa pegou sua guitarra - uma Gibson bem forte - e quebrou uma grande janela de vidro com a guitarra. Depois disso, muitas pessoas puderam sair através dela... e em cerca de 5 minutos, 2.000 jovens estavam do lado de fora. E as pessoas ficaram assistindo o fogo, pensando: Frank Zappa está apenas realizando um grande final para seu show...


Apesar da gravidade do incêndio, que destruiu o antigo teatro completamente, foram registrados apenas danos leves, escoriações e alguns ossos quebrados. Existem duas versões para o início do incêndio: a primeira é como relatada pelo Deep Purple, um jovem soltou um fogo de artifício mais forte dentro do teatro que atingiu seu teto. A segunda versão vem de um relato de um expectador que se lembrou que algumas pessoas atiravam fósforos acesos para cima e como o teatro já estava com muitos enfeites de Natal, um destes fósforos se prendeu nos enfeites de papel. Para musicar esta história, nada melhor que o Bootleg de Zappa em Montreux:



E para finalizar esta primeira parte, a entrevista de Zappa, após o incidente:




E o que isso tudo tem a ver com Smoke on the Water????

O Deep Purple, após o sucesso de Fireball, queria gravar um álbum de estúdio feito nas mesmas condições de uma apresentação ao vivo. Todos juntos, num mesmo ambiente, criando e gravando juntos como nas longas jams instrumentais que eles faziam no palco. Em Dezembro de 1971, eles encontraram o local perfeito: o casino de Montreux. O cassino ainda não estava liberado para o Deep Purple quando eles chegaram - faltava uma última apresentação, de Frank Zappa, para encerrar a temporada e aí sim, eles poderiam utilizar o teatro. Algumas versões da história dizem que foram até o teatro para assistir ao show, outras dizem que viram o fogo do hotel. Vamos descrever a versão de Claude Nob, que com certeza deve estar mais próximo de tudo o que aconteceu... Durante o incêndio, o Deep Purple estava assistindo ao incêndio da janela de seu hotel, e eles disseram entre eles: " ...Coitado do Claude e não existe mais Casino... ". Como eles não poderiam mais gravar no Casino, Claude encontrou um hotel abandonado próximo a sua casa, que se tornou um estúdio temporário. Um dia, Claude convidou os membros do Deep Purple para jantar em sua casa e eles disseram ao Claude: " Nós fizemos uma pequena surpresa para você, mas não estará em nosso álbum. É uma música chamada Smoke on the Water." Claude escutou e disse: " Vocês são loucos. Esta canção será grandiosa." E então, com a benção de Claude Nob, a canção foi incluída no álbum.



Visão que inspirou Smoke on the Water





Claude Nob preparou o Grande Hotel de Montreux para ser o estúdio do Deep Purple. Eles estacionaram do lado de fora a unidade móvel de gravação dos Rolling Stones, puxaram alguns fios, instalaram confortavelmente seus instrumentos nos corredores do hotel e começaram a ensaiar. O resultado é que até hoje todos os shows do Deep Purple contêm ao menos quatro das sete músicas do disco Machine Head, lançado em 1972. A história inteira da gravação é contada em poucas palavras na música "Smoke on the Water". Blackmore havia criado um riff que não fora usado, apelidado então de "durrh-durrh". Não havia letra. Então veio a idéia de escrever sobre o que acontecera na gravação do disco. Gillan afirma que eles estavam num bar quando Roger Glover escreveu num guardanapo o título da música (que significava "fumaça sobre a água", uma boa descrição da fotografia que um jornal publicou no dia seguinte ao incêndio). Glover diz que a expressão lhe surgiu em um sonho e que Gillan lhe respondeu: "não vai rolar; parece nome de música sobre drogas, mas nós somos uma banda que bebe". Nenhum deles apostava que passaria mais de trinta anos tocando "durrh-durrh" toda noite, tamanho o sucesso que a música alcançou. 

Em abril de 2008, os alunos da London Tech Music School, uma das mais conceituadas escolas de música da Grã-Bretanha e de onde saíram integrantes de bandas como o Radiohead, The Kinks e The Cure, elegeram o clássico "Smoke on the Water", como o maior riff de todos os tempos na história do rock, na frente de outros clássicos como "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin, "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana, "My Generation" do The Who, "Born To Be Wild" do Steppenwolf e "Iron Man" do Black Sabbath.

E para musicar toda esta história:



Segue também a edição do 25th aniversário:





E um tributo realizado em Setembro de 2012, em comemoração aos 40 anos do Machine Head;






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Para finalizar este post, queremos mostrar o Deep Purple em duas versões, no mesmo palco sagrado de Montreux;




Acabei de descolar este álbum no Blog Ondas da Net...

Thanks Gustavo...


Consultas:

Tuesday, July 17, 2012

Brasil em Montreux II




Como já foi publicado aqui no Valvulado, tocar em Montreux é um privilégio e não é para qualquer um. Trata-se de um reconhecimento internacional. A música brasileira sempre marcou presença neste festival, e desde 1978, temos a honra de figurar em uma noite única, dedicada ao Brasil.

"A noite brasileira em Montreux começou em 1978 com Gilberto Gil e A Cor do Som. Nenhum outro país teve esse privilégio por tanto tempo.
O criador do Montreux Jazz Festival, Claude Nobs (76 anos), acompanhou apresentações históricas: de Ella Fitzgerald e Ray Charles a Miles Davis e Sonny Rollins; de Elis Regina e Hermeto Pascoal a João Gilberto e Tom Jobim. Para Nobs, é como se fosse receber convidados em casa. Só que a festa dura 16 dias e tem público de 230 mil pessoas. Para "Funky Claude" (apelido que ganhou a partir da música "Smoke on the water", do Deep Purple, sobre incêndio em Montreux), os 46 anos à frente do maior festival de música da Europa foram só diversão. "Nunca trabalhei na vida, amo o que faço. Estou com 76, tive problemas de saúde e comecei a passar responsabilidades. Agora, me concentro nos artistas", diz Nobs ao G1, por e-mail.

G1 - Como começou a noite brasileira em Montreux?
Claude Nobs -
Meu amigo, André Midani, era diretor da WEA no final dos anos 70. Em 1977 e 1978, ele me convidou para organizar dois festivais em São Paulo. Chamei vários artistas brasileiros que eu já tinha conhecido no Midem (encontro mundial de empresas ligadas à música, em Cannes, realizado dede 1968) e alguns americanos. Midani me colocou em contato com artistas como Elis Regina, Gilberto Gil e muitos outros. Até hoje, lembro o show da Elis como um dos melhores momentos do festival.

G1 - Qual seu top 3 de shows de música brasileira em Montreux?
Nobs -
Acho a Elis Regina a maior cantora que o Brasil já teve. E, naquela noite, ela ainda fechou cantando com o Hermeto Pascoal, um dos poucos a quem Miles Davis chamava de gênio. Nunca vou me esquecer do show do Ney Matogrosso. Ele apareceu quase pelado com uma fantasia feita só de penas, foi um escândalo. Fez um show inesquecível, com uma banda incrível. A noite com João Gilberto e Tom Jobim também foi muito especial, deu tudo certo.

Na 46ª do evento suíço, estão previstos mais de 100 shows, incluindo Van Morrison, Bob Dylan, Herbie Hancock e nomes mais novos, como Janelle Monaé e Hugh Laurie, da série "House".
Mais informações: ( http://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2012/06/criador-do-festival-de-montreux-exalta-musica-brasileira-quero-mais.html ) ".

Seguem alguns momentos históricos das noites brasileiras em Montreux:







Brazil Night Live in Montreux - Caetano Veloso, João Bosco, Ney Matogrosso (1983)




Ivinho - Ao Vivo em Montreaux [1978]
















Os álbuns de Elis e Hermeto possuem uma história interessante que deve ser contada aqui no Valvulado, com informações adaptadas de ( http://abre-surdo.blogspot.com.br/2005/06/o-duelo-entre-elis-e-hermeto-no.html ) e do grande livro de Nelson Motta, Noites Tropicais.

"O duelo entre Elis e Hermeto no Festival de Jazz de Montreux em 1979
       A grande estrela da “Noite Brasileira” era Elis Regina, que depois de 15 anos tinha saído da polygram para assinar com o seu velho amigo André Midani na Warner. A gravação de um disco ao vivo em Montreux era parte importante do novo contrato, para dar um impulso a sua carreira internacional. Com César Camargo Mariano [ pianista, arranjista e marido] e um pequeno grupo de músicos de alto nível, Elis montou um show com seus grandes sucessos.

       A lotação do velho Cassino de Montreux estava esgotada há dias e Hermeto Pascoal, vindo de gravações com Miles Davis, e idolatrado nos meios jazzísticos faria a primeira parte da “Noite Brasileira”.
Depois do ensaio , impressionado com a multidão que queria ver o show e não tinha entradas, o director do festival Claude Nobs pressionou o seu velho amigo André que convenceu Elis a fazer uma matinê-extra, às três da tarde no dia do show. Na matinê superlotada, Elis arrasou. Cantou com segurança, técnica e discreta emoção um repertório de alto nível. Fez o show como se fosse um ensaio geral. Como a preparação para a grande noite.

       A noite, no show de abertura, Hermeto Pascoal e os seus músicos fizeram a casa vir abaixo, foram aplaudidos de pé durante 15 minutos, com o público gritando e exigindo mais.

       Depois de um intervalo de meia hora, com uma orquídea azul nos cabelos, como Billie Holiday, Elis entrou no palco do Cassino de Montreux. Com um vestido longo e um penteado que a faziam mais velha, Elis parecia nervosa e tensa, cansada e intimidada, quando começou a cantar. Não cantava mal, cantava com precisão e cautela, sem tentar qualquer efeito. Na coxia, André entrou em pânico, pensou que Elis ia desmaiar. Entrou em palco com um copo de água que ela bebeu imediatamente. O Show continuou.

No palco Elis sofria intensamente, como se não estivesse fazendo o que mais gostava na vida, mas cumprindo um doloroso dever. O show terminou com muitos aplausos mas muito menos intensos que os de Hermeto. Elis estava exausta e saiu rapidamente do palco.

       No meio da gritaria, Claude chama de volta Hermeto Pascoal, que tinha assistido todo o show de Elis na coxia. Recebido com uma espectacular ovação, o bruxo albino se encaminhou vitorioso para o piano enquanto, de surpresa, Claude chamava de volta Elis Regina! Sempre altamente competitiva, Elis sabia que tinha perdido a noite para Hermeto. Frustrada e furiosa, entrou no palco pisando duro e sorrindo tensa para o público.

       Silencio total, piano e voz. Hermeto começa a tocar “Corcovado” e quando Elis começa a cantar, suas harmonias começam a se transformar, dissonâncias surpreendentes começam a brotar do piano, é cada vez mais difícil para Elis – ou para qualquer cantor do mundo – se manter dentro da mesma tonalidade, tantas e tão sofisticadas são as transformações que Hermeto impõe, tornando o velho clássico quase irreconhecível, genialmente irreconhecível. E Elis lá, respondendo a todos os saques do bruxo, com uma precisão que o espantava e o fazia mudar ainda mais os rumos de uma canção não ensaiada.

       Na corda bamba e sem rede, Elis cantava como uma bailarina, como uma guerreira, como um músico. Hermeto arregalava seus olhos vermelhos atrás dos óculos. Elis crescia a cada nota, à cada frase de seus improvisos e scats, a cada compasso de seu duelo com Hermeto. Foram delirantemente aplaudidos.

       Quando Hermeto começou a tocar “garota de ipanema” ( que Elis odiava e jurava que jamais cantaria em sua vida) ela baqueou. Mas logo se recuperou e cantou todo o vigor, como se fosse a última música de sua vida, virou a música pelo avesso imitando uma menininha dengosa, rindo e debochando, provocou o Hermeto, voou com ele diante da plateia electrizada.

       Com o público em pé, “Asa branca”, Elis e Hermeto no round final, o baião de Luís gonzaga em ambiente free-jazz e atonal, harmonias jamais sonhadas se cruzando com fraseados audaciosos de Elis, trocas bruscas de ritmos e andamento, propostas e respostas, tiros cruzados, arte musical de altíssimo nível protagonizada por dois virtuosos.

        Ao meu lado, meu velho amigo Nesuhi Ertgun experimentado crítico de jazz, que acompanhou a carreira de Miles Davis e outros génios, disse que raras vezes tinha testemunhado um dueto tão emocionado, tão técnico, tão audacioso. Saiu do Cassino eufórico, me convidando para celebrarmos num jantar com André e Elis. Festejada por Nesuhi, Elis foi a contragosto, quase não falou, mas disse para André, ameaçadora: “Esse disco não vai sair, não é?”

        Elis sabia que o disco ao vivo em Montreux que poderia impulsionar a sua carreira, internacional não sairia. Porque ela não queria, porque tirando os números com Hermeto, ela achava que o resto não valia a pena, não tinha cantado bem. Achava que tinha chutado um pênalti para fora. De volta ao Brasil exigiu de André um juramento de que nunca lançaria aquela gravação, nunca, nem depois que ela morresse. Elis morreu pouco depois aos 36 anos e André não pensou mais no assunto. Até que uma tarde, dois anos depois, André pensava em Elis quando sentiu um arrepio e se lembrou: o show dela à tarde em Montreux, o show-extra que acabou exaurindo-a e prejudicando sua perfomance nocturna, tinha sido muito bom….e também tinha sido gravado!

       Pediu as fitas e sozinho no seu escritório ouviu e chorou e ouviu e chorou, se lembrou de tudo e decidiu, por amor e admiração – e justiça- contrariar o juramento ao pedido de Elis feito no calor da emoção e da decepção da noite fatídica em Montreux. E constatou que sim, a performance dela com Hermeto era realmente extraordinária, e até ela, mesmo furiosa ( com ela mesma) depois do show reconhecera. André seleccionou cinco faixas do show à tarde e juntou-as às três com Hermeto num LP lançado discretamente e sem maiores repercussões como “Elis em Montreux”. (….) disco histórico."


(Texto de Nelson Motta, retirado das notas da brochura da reedição remasterizada do álbum "Elis Regina - Montreux Jazz Festival", colecção Warner Arquivos, Warner. Outubro 2001.)


Palhinhas: ( http://youtu.be/XOgHxIXyTKc )
            ( http://youtu.be/zGnqyIfyXOI )
                ( http://youtu.be/X7Kv1TpZkTQ )



João Gilberto - Ao Vivo em Montreux (1986)




Paralamas do Sucesso - Ao Vivo em Montreux (1978)







Saturday, March 3, 2012

Brasil no Festival de Montreux

     
     A história do Festival de Jazz de Montreux começa em 1967. O evento durou apenas três dias, tendo como destaques as performances do saxofonista Charles Lloyd e do pianista Keith Jarrett.
     Em 1971, Aretha Franklin se viu convencida a figurar como atração principal do festival daquele ano depois que Claude Nobs a presenteou com uma... caixa de chocolates!
     Em 1973, a artista folk e militante pacifista Joan Baez surpreendeu a todos quando chegou a Montreux montada em um cavalo.
     Foi um incêndio que consumiu parte do cassino de Montreux durante um show de Frank Zappa & The Mothers Of Invention que inspirou o Deep Purple a compor a antológica Smoke on the water.
     1973 também foi o ano que assinalou a primeira aparição de Miles Davis em Montreux. O trompetista voltaria ao palco suíço para mais sete apresentações.
     Em sua juventude, Freddie Mercury, vocalista do Queen, viveu durante vários anos em Montreux. A cidade também serviu de inspiração para a música A winter’s tale, gravada pelo Queen no álbum Made in heaven, pouco antes da morte do cantor.

     O Brasil teve várias participações no Festival e destacamos aqui alguns álbuns que são verdadeiras obras primas.